Salmo 133
Por Péricles de Oliveira Prado
A união é a mola mestra para o bom êxito em
todo empreendimento. Nos negócios gera sucesso. Numa família
unida, a paz, a tranqüilidade e a harmonia reinante no lar,
refletem, beneficamente, na educação dos filhos, vendo
o amor trasbordante dos pais.
A uma nova aluna, matriculada fora da época, loirinha e
de olhos azuis, de nome Angélica, a professora pergunta-lhe
como se chamava o pai. — Meu bem, responde a menina.
A mestra sorri e lhe diz: — E o nome da sua mãe?
— Meu bem, responde novamente a garota.
Sorrindo, ainda, a educadora diz à garotinha: — Querida,
seus pais devem ter outros nomes.
— Não sei, responde ela, lá em casa é
assim que eles se tratam.
Disse alguém que quando o rei David compôs este poema,
ele estava mui ligado por uma grande amizade para com Jonatas. É
possível, pois este Salmo constitui um verdadeiro hino à
fraternidade. O Salmo 133 é mundialmente conhecido. Demonstra
a confiança do cristão em Deus, nos momentos mais
difíceis. O 133, que estamos tratando neste momento, é
repetido diariamente em todo o mundo; pequenino, apenas três
versículos, mas de uma profundidade imensa, se fosse observado,
viveríamos em plena paz. Infelizmente, não é
o que acontece.
O rei-poeta faz duas comparações: Precioso como
o óleo e como o orvalho. Analisemos o substantivo óleo
e o adjetivo precioso. Verificamos, então, que não
é qualquer óleo, mas sim um óleo precioso.
E a que chegamos. O nome do sacerdote Arão ali estava. Nos
capítulos 28 a 30 do livro de Êxodo, Deus escolhe Arão
e seus filhos para o sacerdócio, determinando o modelo, o
material para a confecção das vestes e demais elementos
que seriam usados para o ofício sacerdotal. No capítulo
30, versículos 22 a 33, a descrição dos elementos
que deveriam compor o "óleo precioso": Em 1 him
(6 litros) de óleo de oliva, 500 siclos da mais pura mirra,
250 siclos de canela aromática, 250 siclos de cálamo
aromático, 500 siclos de cássia e mais especiarias,
tudo composto por uma mestre perfumista.
Diz um historiador que estas especiarias custavam caríssimo,
pois procediam de diversas regiões e de outros países.
Depois de feita e mistura, passava tudo por um processo de refinamento
e depuração, de modo que os seis litros iniciais,
se resumiam, no final, em cerca de 600 gramas. Assim, os 1.500 siclos
citados, mais o preço de outras especiarias não determinado,
podemos calcular que as 600 gramas finais do "óleo precioso"
custariam mais ou menos uns R$ 300,00 em nossa moeda, tendo em vista
que o siclo (moeda usada) no câmbio de hoje valia 65 cents
de dólar. Ao que se saiba, não há perfume hoje
que custe tão caro! Além disso, o óleo precioso
era para ser usado unicamente pelo Sacerdote, para santa unção,
uma única vez por ano, quando o Sumo Sacerdote adentrava
o Santo dos Santos. E quem se atrevesse a compor um perfume como
aquele, seria extirpado do meio do povo. (vs. 33). A fórmula
era segredo da tribo de Levi, a tribo dos sacerdotes e transmitida
às gerações seguintes. Dizem que quando o sacerdote
vertia algumas gotas sobre sua cabeça, a fragrância
se exalava por todo o ambiente, por muito tempo e até o pátio
externo.
Descoberto o valor do "óleo precioso", falta-nos
saber o que significava o orvalho, o "orvalho do Hermon".
Um programa de televisão denominado "Mosaico na TV",
trouxe há tempos uma reportagem sobre uma excursão
ao vale de Hermon, onde se cultivam cereais e frutos em abundância.
Num determinado trecho da reportagem, quando a câmera focaliza
o topo do monte Hermon, o locutor diz: "Se não fosse
o orvalho que se acumula no topo do monte e que escorre pelas abas,
formando minúsculos, mas inúmeros regatos molhando
o vale, ali seria um deserto". Ora, deserto é morte;
vale é vida. E é exatamente o que diz o versículo
3: "Ali o Senhor ordena a bênção e a vida
para sempre".
Uma pergunta: O que pensaria Jesus, o grande amigo, a respeito
do assunto? Que valor daria Ele à amizade, à fraternidade?
Em João 11:1, falando de Lázaro, temos a resposta:
"Lázaro, o nosso amigo". Em João 15:13 diz:
"Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém
a sua vida pelos seus amigos". E ainda em João 15:15,
Jesus diz: "Já não vos chamo servos, mas amigos".
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